Com a alegria de Abril, cumprimento todas as pessoas aqui presentes, desejar um muito bom dia a todos.

Celebramos hoje Abril com os olhos postos em Maio.

Abril pôs fim à mais longa ditadura fascista da Europa. 48 anos de terror que tolheram o desenvolvimento do País, comprometeram a nossa soberania e independência nacionais, colocaram as alavancas da nossa economia nas mãos de grandes monopolistas e latifundiários, foram responsáveis por uma das maiores vagas de emigração da nossa história, conduziram a uma guerra colonial com muitos milhares de mortos, deixaram um rasto de miséria, atraso, obscurantismo e isolamento.

   Chegou Abril. Continha em si a força e as potencialidades necessárias para realizar a eliminação de muitas das mais graves desigualdades, discriminações, injustiças sociais e para a construção de uma nova sociedade democrática.

A Revolução de Abril significou um extraordinário progresso da sociedade portuguesa. As suas grandes e históricas conquistas criaram condições para um dinâmico desenvolvimento económico, social, político e cultural conforme com a situação, os interesses, as necessidades e as aspirações do povo português. Os valores de Abril criaram raízes profundas na sociedade portuguesa e por isso dizemos que a Revolução de Abril, ainda em curso, não pode ser alterada por forças externas e transformada em “sonho do passado” por governos submissos a um mercado financeiro que é hostil a esses valores.

O 40º Aniversário da Revolução de Abril assinala-se num momento em que os trabalhadores e o povo português se confrontam com o aprofundamento da agressão aos seus direitos sociais, económicos e culturais, em consequência de uma inaceitável intervenção externa da União Europeia e do FMI, acordada com o PS, PSD e CDS, na sequência dos PEC do Governo PS, que agride a soberania e põe em risco a independência nacional.

Mas Abril não aceita que a geração formada em Portugal emigre para produzir noutros países; que a “inteligência” portuguesa seja exportada como mercadoria barata; que as jovens em condições de procriarem sejam impedidas de o fazer por uma exigência de mercado de trabalho desumana; que os adolescentes fiquem nas ruas sem escolas nem recursos de formação ao sabor da cultura de violência alimentada pela comunicação social que repete programas estrangeiros sem qualquer respeito pela nossa identidade cultural; que os seus idosos passem fome e tenham de enfrentar a miséria porque as pensões e reformas são roubadas; que as novas gerações não conheçam a esperança de uma vida digna, esmagadas que estão pela ambição do lucro de uma elite perversa.

Em véspera de eleições faz jeito levar um cravo vermelho ao peito mesmo quando a violação do texto da constituição e o desrespeito pela democracia se torna uma rotina. No intenso pulular de evocações e declarações, nem sempre o cravo é verdadeiramente vermelho nas intenções que se escondem em pétalas menos patenteadas.

Como antes do “25 de Abril”, há quem considere o povo português despolitizado, apático e conformado. Assim o desejam mas assim não é. Apesar das dificuldades os braços não caíram porque todo o tempo é de abril quando de luta é feito o tempo que vivemos. Nela nasce a esperança. Dela se faz o futuro. A Revolução de Abril completa 40 anos de luta, ela é do povo e será comemorada nas ruas e nos recintos populares que a respeitam – hoje mesmo no rossio de Viseu. O processo revolucionário prossegue no combate às injustiças de classe, à austeridade imposta a quem vive do seu salário, às camadas sociais mais pobres, para pagar uma dívida que não é deles e que enriqueceu o sistema financeiro que foge ao fisco e aos tribunais.

A Revolução de Abril está viva e carrega a esperança de salvar Portugal porque os seus valores são sementes de futuro. Abril vai continuar sempre que o povo quiser lutar, porque o povo sabe que é ele quem mais ordena e que unido jamais será vencido! Viva Abril com os olhos postos em Maio!